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Movo-me pela fatalidade.
É por onde minha rua anda.
Desminto o que fazia de conta
Que acreditava,
E aceito como certo
A direção do tempo.

A única certeza de mudança
São os cabelos que caem,
As carnes que se dobram,
Os rios que nascem e correm pela face,
Os ossos que caminham para o pó.
É o que posso e o a que estou destinado.

E aconteçam as coisas
Que as espero de pé
(ou sentado, se houver conforto),
Com a calma nervosa
De quem aguarda,
Entre os fumos da estação,
Em meio aos carregadores suados,
Aquele trem que não tem horário.

Antes do Horror do julgamento
Olho pela janela do meu quarto
E procuro um derradeiro vento de esperança
Em um mundo que se consome.

Resta o confirmar
Que a vida não é
Um mar de almirante,
Não há lugar para Vasco da Gama,
Não se espera Dom Sebastião
E o Cabo não é da esperança.
O monstro não pergunta,
Engole.

Felipe 28XI2002
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